Dicas para quem vai Comprar um Imóvel na Planta

Embora as dicas que reunimos para quem vai comprar um imóvel na planta sejam simples, e até óbvias para muitos, a verdade é que não são seguidas pela grande maioria dos adquirentes de imóveis na planta.

O passo a passo para comprar um imóvel na planta proposto pelo Blog Direito Imobiliário não é uma garantia de que não haverão problemas, o objetivo é apenas minimizar os riscos envolvidos na transação, bem como, garantir que você tenha todos os documentos para comprovar o seu direito caso haja necessidade de ingressar com uma ação judicial.

A Caixa Econômica Federal também fez um passo a passo para quem quer comprar um imóvel na planta,  os itens são bem diversos, eis que o enfoque da Caixa é outro, portanto, pode ser usado de forma complementar aos itens abaixo – Passo a Passo para compra de imóveis na planta (Caixa).

1º Passo – Atenção no Planejamento Financeiro

Este é o ponto que a primeira vista parece ser o mais óbvio de todos, porém é um dos que mais trazem surpresas e decepções.

O problema surge por que a maioria das pessoas tem um orçamento limitado para investir no imóvel, um teto de recursos disponíveis e na grande maioria das vezes o imóvel é adquirido pelo valor máximo que o consumidor tem capacidade para pagar. Ainda pior, muitas pessoas ao visitarem os empreendimentos percebem que com um investimento 10% além do capital disponível, podem adquirir um imóvel de padrão bem superior, e logo pensam que basta apertar um pouco o orçamento e até o final da obra conseguirá arcar com esta diferença.

Ambas as premissas acima estão equivocadas e a chance de você não conseguir pagar são muito elevadas. Isto ocorre por que as pessoas não percebem que terão custos adicionais.

O maior problema é que os contratos costumam sofrer reajustes pelo INCC durante a construção. Trata-se de índice variável e portanto,  impossível prever com exatidão qual será o acréscimo, porém, nos ultimos anos, o INCC tem ficado em torno de 8% ao ano.


Na hora de comprar um imóvel as pessoas esquecem de outro custo adicional, o ITBI – Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis, que é um imposto municipal cujo o valor é determinado por Lei Ordinária do Município, variando de cidade para cidade. Este custo é, em média, por volta de 3% do valor do imóvel.

Ainda, há taxas cartorárias, custos com despachante, advogado, seguros, dentre outros, que juntos podem pesar no bolso se não houver um bom planejamento.

O recomendável é prever um custo adicional de pelo menos 20% para evitar transtornos na hora de obter o financiamento.

2º Passo – Consulte um advogado antes de assinar qualquer documento

A grande maioria das pessoas não utilizam os serviços de um advogado antes de assinarem o contrato de promessa de compra e venda. Algumas pessoas pensam que contratar o serviço de um advogado é muito caro, outros pensam que tem conhecimento suficiente para  assinar sem auxílio profissional.

Ambas as premissas estão equivocadas, o custo de contratar um advogado especializado na área é, em geral, extremamente baixo se comparado com os custos envolvidos na aquisição do imóvel.

Também, engana-se quem acredita que tem conhecimento suficiente para assumir uma obrigação deste porte sem auxílio de um profissional. Salvo raríssimas exceções, as pessoas não conhecem todos os Direitos e obrigações envolvidos, tampouco, as armadilhas contratuais que existem em diversos contratos.

3º Passo – Seja Organizado e Monte um Arquivo

Muitas pessoas não pensam que podem vir a ter problemas com o imóvel e mesmo as que estão cientes dos riscos envolvidos raramente organizam toda a documentação envolvendo a aquisição do imóvel e quando precisam, raramente conseguem reunir toda a documentação necessária.

É altamente recomendável que se crie um pasta e que todos os documentos sejam guardados, até mesmo os que não parecem ter importância.

4º Passo – Visite o Local do Empreendimento

Não é raro que as pessoas comprem um imóvel na planta sem conhecer o local do empreendimento, assinando contratos em showroons localizados em Shopping Centers, na sede da construtora ou em feiras de imóveis.

A prática não é recomendável, pois uma visita no local do empreendimento pode revelar detalhes da região que faria com que sua escolha fosse outra. Lembre-se que a construtora não vai destacar aspectos negativos do empreendimento.

Com uma visita no local, você pode se dar conta de que  a vizinhança não é a que você gostaria, a rua do empreendimento é escura e de difícil acesso dentre muitos outros detalhes que podem passar desapercebidos.

5º Passo – Investigue a Construtora

Muitas construtoras são empresas de grande porte, com capital na bolsa de valores. Estas empresas oferecem um risco muito menor em relação a empresas de pequeno porte, pois seus balanços são públicos e facilmente obtidos pela internet. Ainda, estas empresas estão sujeitas ao controle de órgãos públicos e são constantemente auditadas.

Porém, quando se trata de construtoras pequenas vale a pena investigar mais a fundo e de preferência para empreendimentos que tenham afetação patrimonial, pois oferecem mais segurança.

Ainda, muitas pessoas gostam de visitar empreendimentos já entregues pela construtora. Desta forma, é possível até conversar com moradores e questionar se a obra apresentou algum problema, se houve atrasos e etc.

6º Passo – Solicite o Registro da Incorporação e o Memorial Descritivo

A legislação brasileira é bastante exigente em relação a incorporação imobiliária, exigindo uma série de documento que garantem a transparência do empreendimento e conferem certa segurança jurídica ao negócio. Caso a construtora não tenha registrado a incorporação, ela sequer poderia estar comercializando o empreendimento. Neste caso, nem considere a hipótese de adquirir um imóvel na planta sem que a incorporação esteja registrada.

Já o Memorial Descritivo é um dos documentos necessários para registrar a incorporação. É neste documento que haverá as características fundamentais do empreendimento, como o acabamento e os materiais utilizados. Sem analisar o Memorial Descritivo você pode ter  surpresas desagradáveis na hora de receber o imóvel.

6º Passo – Guarde Todo o Material Publicitário do Empreendimento

A primeira vista pode parecer um monte de papel sem valor, porém, o material publicitário – folders, encartes e o próprio material do site, criam obrigações para a construtora, especialmente se não constar nada em contrário no Memorial Descritivo do Imóvel. Isso significa que constando nos materiais de divulgação do empreendimento constar piscina, salão de festas, espaço kids, academia etc., tais equipamentos devem ser entregues não podendo a construtora alegar que tais estruturas não estavam previstas.

Importante fazer um printscreen do site da construtora, com tudo o que eles anunciam para o empreendimento, pois este material também cria obrigações para as construtoras.
Vale, ainda, tirar fotos da maquete do empreendimento, geralmente disponível no showroom da construtora.

7º Passo – Formalize toda a Comunicação por Escrito

Sempre que você tiver uma dúvida sobre qualquer assunto relacionado ao imóvel, é importante que seja feito por escrito.  Esta comunicação pode ser por e-mail, sem necessidade de uma correspondência mais formal, mas é importante que você tenha este registro.
Nada impede que você tire uma dúvida por telefone ou mesmo indo direto a construtora, porém, mande um e-mail confirmando as informações passadas verbalmente para que você possa ter registrado.

8º Passo – Registre o Contrato no Registro de Imóveis

Após a assinatura da Promessa de Compra e Venda, registre o contrato no cartório. Este ato trará muito mais segurança ao negócio.

A primeira vantagem é que a construtora não poderá vender a mesma unidade para outra pessoa. Embora a possibilidade seja remota tratando-se de uma construtora séria, é melhor prevenir do que remediar.


Outra vantagem é que se a construtora  alterar o Memorial Descritivo do imóvel, você terá que autorizar.

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